Terça-feira, 14 de Julho de 2009

De volta à infância, em 1991*


O GP da Alemanha foi bom? Foi. Mas achei um tema mais interessante para a minha coluna desta vez. Queria falar da recente experiência que tive com um jogo de computador.

Sendo um apreciador de corridas e também de tecnologia desde criança, foi cedo que adquiri interesse por jogos de velocidade. No começo, eram aqueles games de PC clássicos, como o Indy 500. Mas, em 1993, minha vida mudou com o World Circuit, ou como era mais conhecido, GP1, criado por Geoff Crammond. Aquele simulador de corrida trazia a temporada de 1991, com os feras da época, e todas as pistas do calendário, para jogar a qualquer momento. Eu passava horas na tela do computador. Gráficos toscos, mas a jogabilidade compensava tudo.

Claro, o tempo passou e o GP1 foi superado. Não, eu não parei de jogar. Apenas fui evoluindo com os nomes – logo surgiu o GP2, GP3 até o último da série, GP4 (parece que Crammond desistiu de continuar a série). Joguei todos, fiz vários campeonatos e me estressei demais com rodadas e erros, até que as obrigações da vida adulta chegaram e me afastei da tela do computador – só para jogar. O GP4 manteve-se instalado, mas era raramente acessado.
Até que, um dia, navegando pelo YouTube, encontrei vídeos de um GP4 que não conhecia.

Os gráficos eram parecidos, mas os carros, não. Sim, era um GP4 alterado, com carros e pista antigos. Mais precisamente, de 1991. Vibrei quando vi aquilo, me encantei com a precisão dos detalhes, desde patrocinadores até ângulos das câmeras. Foi uma volta no tempo.

Não demorou para que eu fosse atrás de como transformar o meu GP4, parado e original (a temporada lançada nele era a enfadonha 2001), naquele túnel do tempo. Mas demorou para conseguir. Descobri que era necessário instalar muita coisa. Adaptar o jogo inteiro. Basicamente, fazer coisas de hackers. Mexer em arquivos que eu nunca soube que existiam.
Mas eu consegui.

Cerca de dois meses após ver o vídeo, o “GP4-1991” estava em minha própria máquina. Foi paixão antes mesmo da primeira volta. Ainda na abertura, já está tudo modificado. Imagens do campeonato de 1991 aparecem na tela, e quando o menu principal finalmente desponta, você está sedento para correr.

Mas tem mais. A música executada durante o menu, as fotos dos pilotos, tudo foi feito com requintes detalhistas ao máximo. É possível, inclusive, ouvir o lendário Murray Walker, espécie de Galvão Bueno da Inglaterra, narrando as corridas mais famosas daquele ano.

Correr, claro, é o melhor de tudo. Na minha “estreia”, escolhi Roberto Moreno, na Benetton. A pista foi Interlagos, claro. Foi emocionante ver o cenário. Patrocinadores da época misturam-se com os bólidos coloridos fieis aos originais. O som também encanta. Pulei a classificação e fui logo para a largada, saindo de último. Poucas voltas depois, rodei. Mas durante elas consegui lembrar como é bom ser criança. Aquele meu GP4 nada mais era do que o mesmo GP1, que eu jogava em 93, com gráficos melhores.

Como disse Ayrton Senna uma vez: “a diferença entre as crianças e o adultos são apenas os brinquedos”.

RETA OPOSTA

E da corrida?
Sim, o GP da Alemanha foi interessante. Rubinho ficou em segundo de novo. Agora, ele é o segundo piloto que mais demorou para vencer uma corrida na F-1.

E da política?
Acho que falo por todos quando digo que não quero mais saber de política na F-1. Estamos todos, claro, torcendo apenas para que Mosley dê o seu lugar.

E do Rubinho?
Ele disse que acha “um saco” isso tudo acontecendo. Falar o quê? Enquanto isso, Massa fez uma de suas melhores corridas este ano. O cara está maduro mesmo.

Ah, se você tem GP4, saiba mais sobre o projeto 1991 aqui.

*coluna publicada em dia de corrida no site UOL Interpress Motor. Para ver as anteriores, clique aqui.

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Sexta-feira, 10 de Julho de 2009

Os Nove (+ 1) mais -
Personagens de novelas


Não sei por qual razão, mas resolvi chutar o balde no lado cult do blog e colocar aqui um pouco de cultura inútil, área por onde, devo dizer, passeio bastante. Então, lá vão meus 9 personagens favoritos de novelas. Por que nove? Porque deixo o décimo para vocês sugerirem, nos comentários dos posts.

Ah, sim, vale dizer que a última novela que eu vi mesmo foi Terra Nostra, de 1998. Depois dela, sem falsa demagogia, a TV a cabo entrou na minha vida e hoje assisto muito, muito pouco de TV aberta. Meu período noveleiro máximo foi entre 1989 e 1998.

Portanto, seguindo o barco e minha linha de conhecimento, vamos lá:

10. É com você! Quem está faltando nessa lista?? Deixe um comentário dizendo.

9. Sinhozinho Malta (Roque Santeiro, 1985): não acompanhei essa novela já que era muito novo, mas tenho flashes de lembrança desse importante nome vivido por Lima Duarte. E, como não lembro muito, nem tenho o que falar. Só a citação aqui mesmo.

8. Babalu (Quatro por Quatro, 1994): Letícia Spiller perdeu de vez a imagem de paquita quando viveu a Babalu. Gostei muito dessa novela, que trazia uma série de personagens legais. Babalu criou tendência de moda, na época, no Rio de Janeiro. Diversas "Babalus" surgiam pelas ruas cariocas, sempre de mini-saias, uma blusinha curta e salto alto (boas lembranças...).

7. Jeremias Berdinazzi (O Rei do Gado, 1996): Raul Cortez dando um show de interpretação. A novela foi decaindo com o passar dos meses, mas ele apaixonado pela empregada Giudite (Judite?) quando já estava doente era muito legal de ver.

6. João Pedro (Renascer, 1993): Marcos Palmeira era o filho "enjeitado" de José Inocêncio, e passou sua vida sendo sempre o menos querido dos três irmãos. Marcos Palmeira inspirou-se muito no seu personagem de Pantanal, quatro anos antes. Mas, como eu vi mais Renascer do que Pantanal...

5. Velho do Rio (Pantanal, 1989): outro clássico das novelas rurais (sempre foram minhas preferidas), o Velho do Rio (Cláudio Marzo) me dava medo. Criança ainda, via aquele velho andando pelos rios da região e demorei pra descobrir que ele era o Zé Leôncio, outro personagem da novela (tipo não saber que o Sr. Barriga era o Nhônho).

4. Tonho da Lua (Mulheres de Areia, 1993): Um clássico! Quem nunca imitou o jeito de falar do famoso Tonho da Lua "aaaa Rutinha é minha amiga!"? Marcos Frota deu vida a esse curioso personagem, que sempre abotoava os botões de cima da camisa e deixava os de baixo, revelando a barriga.

3. Don Lázaro Venturini (Meu Bem, meu Mal, 1989): Mais uma cena que a Globo conseguiu colocar na (minha) história. Lembro de vários momentos do Don Lázaro (Lima Duarte) em sua recuperação do derrame cerebral que sofrera na trama. A hora em que voltou a escutar, por exemplo. Mas o clássico maior é a cena "eu quero melão", que vocês podem rever aqui.

3. Bruno B. Mezenga (Rei do Gado, 1996): Rei do Gado sempre foi uma tentativa meio barata de reviver o grande sucesso de Renascer, de três anos antes. E Bruno Mezenga (Antônio Fagundes) imitava bastante o José Inocêncio. Não empolgou, mas ajudou bastante na briga dos Mezenga X Berdinazzi.

1. José Inocêncio (Renascer, 1993): vivido por Antônio Fagundes, o cara era o máximo. Coronel daquelas fazendas de cacau na Bahia (pelo menos na novela elas existem), ele chegou à região ainda novo (Leonardo Vieira) e enterrou seu facão na frente de um enorme jequitibá-rei. (relembre aqui). Enquanto o facão estivesse ali, ele jamais morreria por "morte morrida ou morte matada". Brilhante!

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Quinta-feira, 9 de Julho de 2009

(Alguém) Salve o Tricolor
Paulista - na íntegra


Para quem não leu no blog da LVBA, segue o meu texto sobre a decisão do SPFC de demitir o Muricy. Espero que gostem. Comentários são benvindos.

Quando você olha os fatos sem o coração, é fácil perceber como empresas e pessoas cometem erros ao serem pressionadas. São momentos em que a comunicação é o que mais falta. Nessa semana, por exemplo, só se falou na demissão de Muricy. Sou um são-paulino bem longe de fanático. Tive meus momentos, claro, mas a maioria deles vêm de um passado nem tão recente. Na era pós-Telê Santana, sofria muito com as consecutivas derrotas do clube. Mas a maturidade foi chegando e, com ela, a percepção de o seu time de coração vencer ou perder não muda em (quase) nada a sua vida. São apenas doses efêmeras de alegria ou tristeza.

Hoje, pouco me envolvo em questões coletivas de futebol - não sei a escalação completa dos times e muitas vezes abro mão de assistir as partidas na TV em troca de encontro com os amigos ou até mesmo uma pestana vespertina.

Mas confesso que aceitei com gosto o pedido de escrever neste 806 sobre a saída do Muricy Ramalho do São Paulo. Sim, porque essa decisão do clube me deixou quase indignado. Com a saída do Muricy, o São Paulo se iguala aos clubes rivais que ele tanto critica pela falta de planejamento e organização. E perde muitos pontos com sua torcida.

Muricy Ramalho era a cara do São Paulo. Um técnico são-paulino de coração, rabugento e meio ranzinza, mas extremamente eficiente e carismático. Tudo isso não seria suficiente para segurá-lo, claro. Sem problemas, já que o cara conseguiu o feito de ser tri-campeão nacional consecutivo. Algo que só vemos com aqueles times que marcam uma geração.

Em sua obsessiva busca pela Libertadores, o São Paulo abre mão do provável melhor técnico do país hoje. Sem perceber que os problemas no time são estruturais, estão no elenco. Agora, Muricy está à disposição da concorrência, e eu não vou me surpreender se ele não acabar parando em um rival direto do tricolor.

O que mais revolta em tudo isso é ver a forma como o São Paulo atuou. Um dos meus maiores orgulhos em ser são-paulino sempre foi ver que o meu clube sabe se organizar, se planejar e cuidar dos seus. Não precisamos fazer parcerias duvidosas (ou não). Temos uma história de muito trabalho. Temos o maior estádio da cidade. Um centro de treinamento que é referência. Uma área social muito bem cuidada. Programa para revelar novos talentos. Jogadores revelados pelo São Paulo correm o mundo.

Porém, na hora em que a crise aperta (e ela sempre aperta), o time se portou justamente como qualquer outro clube. Em dúvida, demita o técnico. É mais fácil assim. Vamos ignorar tudo que Muricy dedicou ao time e preferir um desconhecido da maioria que, parece, tem ligações políticas com a CBF e a irritante questão do Morumbi e a Copa-14.

Não deixarei de torcer pelo São Paulo, claro. Mas minha torcida, que já vinha caindo progressivamente desde os anos 1990, segue em franca decadência. E a saída do Muricy apenas acelerou o processo.

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Quarta-feira, 1 de Julho de 2009

Em busca do "o"

Agora pouco estava falando com uma amiga muito querida. E o assunto, que foi por várias searas da vida, caiu, inevitavelmente, em relacionamentos.

E ela me falou do "amor da minha vida". Que ainda não tinha encontrado o amor da sua vida. E então nos perguntamos: em uma vida tão curta, mas tão complexa, tão breve, mas tão eterna, tão fugaz mas tão distante, tão efêmera e tão profunda, por que, de maneira quase infantil e ilógica, achamos piamente que há apenas um "o" entre tantos amores?

Sim, eu acho que podemos ter vários amores de nossas vidas. E devemos agradecer a isso. Seria um desperdício de vida ter apenas "o" amor. A melhor forma de viver a vida é saboreando o que ela tem de melhor a oferecer; é conhecendo as pessoas que podem te acrescentar algo.

E não, eu não sou polígamo.

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Terça-feira, 30 de Junho de 2009

O último ensaio

Hoje recebi da Getty Images imagens do último ensaio de palco de Michael Jackson, que se preparava para uma longa turnê de shows na Inglaterra.

Compartilho aqui a foto com vocês. O crédito é de Kevin Mazur/AEG/Getty Images. A foto é de 23 de junho.


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Sexta-feira, 26 de Junho de 2009

Michael Jackson - Minha
homenagem (e revolta)


Nunca fui fã de Michael Jackson, mas gosto do cara. Interessante ver que, com o anúncio da morte dele, são vários os artigos de "especialistas" por aí que comparam o artista ao Elvis. Exagero? Digo que não. Ambos revolucionaram a música em seu tempo, criando novos conceitos que foram seguidos por vários. Elvis, claro, de uma forma maior por ter surgido antes.

Elvis e Michael também foram se perdendo ao longo da carreira. Abusaram de remédios fortes demais no fim de suas vidas, morrendo de forma precoce e injusta. E também chegaram ao momento final sendo apenas esboços das belas imagens que foram no auge (é duro admitir isso, mas é verdade).

Porém, existem idiotas como o Paulo Ricardo que exageram e enxergam apenas o que querem. O ex-vocalista do RPM soltou hoje na Folha de S. Paulo que a carreira de Michael acabou cedo, assim como a de Elvis acabou quando ele entrou para o exército (???). Depois de voltar ao exército, Elvis viveu mais 17 anos e gravou clássicos como Cant' Help Falling in Love, Burning Love, Suspicious Minds, Polk Salad Annie e In the Ghetto, entre (várias) outras.

Essas pessoas que dizem que o rock morreu quando Elvis foi para o exército gostam de dramatizar as coisas. O rock não morreu, estava apenas nascendo. E, enquanto Presley estava nas forças armadas, o cenário musical revelou diversos novos artistas e encontrou seu caminho.

São sujeitos como esses que influenciam dezenas de seguidores sem personalidade, que tomam por verdade o que jornais como a Folha colocam (neste caso), lamentavelmente, na capa.

Mas, como o meu post é sobre a morte do Michael, de volta ao tema. Coloco aqui a minha música preferida do artista, gravada ainda na época do Jacksons 5. Trata-se do blues rasgado e absolutamente delicioso Who's Loving You. Coloquei o vídeo abaixo com a letras. Pra quem não conhece, vale a pena ouvir.


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Quinta-feira, 25 de Junho de 2009

(Alguém) Salve o Tricolor Paulista


Gente, tem post meu no 806, o blog da LVBA. Escrevi sobre a demissão do Muricy do São Paulo, um dos temas do momento. Quer ler? Dá uma olhada lá. Depois eu posto aqui, para não dar concorrência!

http://oitozeromeia.blogspot.com


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